Ontem, lendo o ótimo livro de Tom Ang (O Fotógrafo Completo) refleti sobre uma coisa bastante intrigante: a quantidade de dimensões das fotografias. Se pensarmos cartesianamente, a fotografia tem apenas duas dimensões no espaço (altura e largura), coalhada de pequenos pontos das infinitas cores que imaginarmos, saindo do preto extremo (ausência de luz) até o branco mais alvo (luz extrema).

Sendo assim, o que faz a fotografia ser tão interessante, intrigante ou emocionante? Exatamente, caro leitor: as outras dimensões. Imagine aquele seu carro de estimação que você dirigiu durante anos e vivenciou muitas experiências boas. Ele podia ser velho e pequeno em tamanho, mas era enorme em carinho e valor sentimental. O mesmo acontece quando nos deparamos com uma bela fotografia. Ela instantaneamente nos carrega de algum tipo de sentimento ou lembrança. Não falo do aspecto técnico, ou seja, se a imagem está corretamente exposta, ou bem composta, apesar disso também influenciar as dimensões. Falo sobre o aspecto cultural e emocional.

A grande maioria das fotografias famosas, não primam apenas por uma bela imagem nas duas dimensões do papel ou do monitor (por exemplo, uma paisagem famosa já frequentemente fotografada), mas também fazem questão em se aprofundar nas centenas de outras dimensões que imaginamos e presenciamos ao retratá-la. Alegria, tristeza, indiferença, altruísmo, grandeza, humildade, esforço, heroísmo, espanto e surpresa: essas são dimensões comumente vistas nas grandes fotos históricas eternizadas pelos grandes mestres.

Migrant Mother por Dorothea Lange

Migrant Mother por Dorothea Lange

Essa simples lição, me despertou para novos horizontes. Quantas dimensões eu quero retratar nas minhas fotografias? Quantas eu quero esconder ou negar? No pós-processamento, podemos trabalhar as luzes, cores e enquadramento, mas as dimensões só estão presentes no momento infinitesimal do clique. Escolha bem, e enriqueça suas fotos!

Saudações!

Ali x Liston por Neil Leifer

Ali x Liston por Neil Leifer


Comment