No último episódio, fizemos um detour da capital Reykjavik até a península de Snaefellsness para fotografar a montanha de Kirkjufell e suas cachoeiras. Depois de excelentes fotos, não demoramos a pegar o caminho até a famosa Gullfoss, uma das maiores e mais belas cachoeiras da Islândia.

Foram três horas de estrada direto, obviamente, com algumas paradas para lanchar e tomar aquele café. A meta era chegar na hora dourada na Gullfoss para fotografar seu esplendor na melhor luz possível.

Mais uma vez a surpresa foi grande quando chegamos. Pegamos os ventos mais fortes que já enfrentei na minha vida. As cachoeiras estavam bastante congeladas, o que piorava ainda mais a sensação térmica. Mesmo preparado para o frio, era quase insuportável ficar ali. A sensação era que mil agulhas espetavam o rosto, e as mãos já pareciam não estar mais ali.

Era praticamente impossível manter o filtro limpo e sem cristais de gelo. Cada spray da cachoeira que conseguia nos alcançar, congelava imediatamente ao ficar exposto no vidro. Persisti, e finalmente consegui uma foto razoavelmente limpa da majestosa Gullfoss.

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Esse, infelizmente, foi o mais perto que consegui chegar da cachoeira. As pequenas caminhadas até os outros pontos estavam fechadas, completamente congeladas. Não pude esconder a decepção, de não conseguir fazer novamente algumas composições com ela cheia de gelo. No entanto, a segurança sempre vem em primeiro lugar, e o cansaço vinha logo atrás.

Novo dia pela frente, e retornamos para ter um pouco de criatividade na Gullfoss. Lembrei que estava com a minha Sigma tele, e achei que poderia fazer composições mais interessantes utilizando-a. Mas, isso só seria possível sem os fortíssimos ventos de ontem, já que ele facilmente poderia arremessar minha câmera com a lente e tudo, abismo abaixo.

Ok! Por ali já deu. Não tinha muito mais o que fazer, e ainda precisava pegar mais algumas horas de carro passando por várias outras cachoeiras. Quem sabe não iriamos ter a grande sorte adiante? O próximo alvo estava a 120 km dali, e era a famosa Seljalandsfoss, a cachoeira famosa pelas fotografias por detrás dela, e uma novidade que não havíamos visitado da última vez: uma cachoeirinha de nome impronunciável (Gljúfrabúi) que ficava a poucos metros da outra.

Ao chegarmos na Seljalandsfoss, estava LOTADO de turistas. Eu não acho um grande problema isso, desde que todos convivam com respeito e sem atrapalhar. O maior problema era que a maioria deles estava violando a faixa de segurança e se colocando bem na frente da cachoeira para aqueles que queriam fotografar com segurança. O restante da trilha para trás estava completamente congelado e inacessível, principalmente por conta da queda de estalactites que se penduravam em todo lugar. As vezes era até divertido ouvir algumas quebrando e despencando em um barulho como um pequeno trovão.

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Aqui que a surpresa foi boa. Turistas e curiosos geralmente não se enfiam em lugares não populares onde fotógrafos se enfiam. Aproveitei isso para entrar na pequena caverna que desemboca na outra cachoeira que para mim era inédita. A experiência foi sensacional. Nessas horas que eu agradeço de estar com uma roupa resistente à água e a câmera selada.

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Beleza, eu estava feliz. Molhado e feliz. Mas, agora o clima começava a dar indícios de que iria mudar. Aquele solzinho que estava fazendo, começou a ficar meio escondido, e as rajadas de vento batiam com força novamente. Faltava uma grande cachoeira mais à frente: a Skogafoss, e precisávamos chegar lá a tempo de algumas boas fotos.

Chegamos! E acabando de sair do carro eu não me dei conta que o filtro estava frouxo na frente da câmera, e ele espatifou no chão com uma rajada de vento que me acertou. Meu ND 64 da NiSi acabava de morrer ali, e eu fiquei por algum tempo pensando como eu ia fazer minhas longas exposições num lugar simplesmente lotado de cachoeiras e no resto da minha viagem.

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A exposição ficou um pouco longa demais. Eu estava chateado e o clima já começava a castigar. Resolvi não me demorar muito por ali, pois ainda tinha a esperança de pegar os penhascos de Dyrholaey, próximos à Vik ao por-do-sol, e fazer algumas imagens de drone por lá.

Sem chance. O dia estava acabado. A visibilidade era baixa, começou a cair uma nevasca com ventos desumanos e minha moral já estava destruída. Resolvi fazer um chazinho e adivinhem o que aconteceu? Acabei de receber um email dizendo que a nossa expedição de amanhã para as cavernas de gelo de Vatnajokull havia sido cancelado por conta de INUNDAÇÕES. Ok, mas isso é um assunto para o nosso próximo vídeo.

Preparem-se para uma sequência de imagens fortes! E até lá!

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