No episódio anterior, vocês viram que o clima não estava facilitando muito para fotografar. Além disso quebrei um filtro, e os turistas estavam dando aquele toque especial de dificuldade para completar. Sem problemas. A fotografia de paisagem é assim mesmo: Você tem que ser resiliente. Mas, preparem-se porque é nesse episódio que o bicho pega.

Sabe aquele momento tenso da viagem que tudo parece dar para trás? Então. Ele chegou. Depois de ter recebido o email de cancelamento da nossa expedição até as cavernas de gelo de Vatnajokull e ver que tinha um alerta amarelo para o clima no sul da Islândia com ventos até 120 km/h, a única coisa certa a fazer era simplesmente... seguir em frente.

Para a nossa surpresa conseguimos uma remarcação da expedição para outra caverna de gelo, menor, mas bem mais próxima, no vulcão Katla. Tentamos a sorte. E então...

Avançamos com dificuldade, mas sem parar. Para a nossa surpresa havia um outro carro, exatamente igual, totalmente atolado naquela mistura de terra, gelo e lama de praticamente dias nevando e chovendo. Nosso guia foi bem marcante ao falar: “aqui não deixamos ninguém para trás” e aí que começou a aventura.

No começo, parecia até divertido, mas depois de uma hora, duas, começou a ficar cansativo. Eu já estava pensando no caminho que ainda tínhamos pela frente, e, como iriamos conseguir aproveitar a caverna de gelo com uma frota de carros com turistas atolando e desatolando junto conosco.

Alívio. Chegamos. Eu já estava até meio tonto, e um pouco enjoado de fome e de tanto sacudir. Três horas para chegar, um caminho que normalmente duraria quarenta e cinco minutos. Ainda não havia passado a pior parte. A natureza resolveu brindar a gente com chuva, que as vezes virava granizo, e um pouco de neve.

As cavernas estavam completamente molhadas, e a água vinha de todos os cantos. Era extremamente escorregadio, até mesmo para fixar o tripé. Era quase uma missão impossível fazer uma foto em longa exposição para pegar a bela luz que entrava pelo gelo cristalino, um pouco sujo de cinza vulcânica. Quase. Em quinze segundos de sorte, consegui um momento para fazer a bendita imagem. E que imagem!

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Daí pra frente foi só muita chuva e ventos castigantes. Nossa sorte que estávamos dentro de um Jipe robusto, mas foram três horas escutando o vento e a água batendo na lataria, como se estivéssemos dentro de uma máquina de lavar. Cada lugar no mapa que passávamos, abandonávamos a intenção de descer e visitar pois não havia condições nem visibilidade. Game over para aquele dia. Agora era esperar um milagre para o clima voltar ao normal.

Energias renovadas e vamos nós de novo, agora voltando pela Rota 1. Pensávamos que o clima ia dar uma trégua, mas estávamos enganados. Uma hora depois chegamos à Jokulsarlon, a famosa lagoa dos icebergs, mas para nossa surpresa não tinha icebergs. Talvez pela chuva, talvez pelo frio intenso, até a praia estava sem os famosos diamantes de gelo. Fui teimoso e andei, e aí, com muito custo consegui uma foto preciosa e diferente do que eu já tinha visto.

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Dá pra imaginar a depressão? Em dois dias eu só havia apertado o click 22 vezes. E mesmo assim, as fotos estavam bem aquém do que eu imaginava em uma terra que é recheada de maravilhas naturais e paisagens. Sem problemas. O solzinho começou a aparecer no último dia, como uma despedida melancólica do maravilhosa e temperamental Islândia. Parecia quase um convite para voltar em breve, mas, agora era hora de pensar na próxima aventura.

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